sábado, 14 de novembro de 2009

Ando num desinteresse incomum acerca do que está por vir. Ao acomodar a cabeça no travesseiro dispenso a preocupação com o que ainda é futuro e durmo com esse artifício que torna a noite mais leve. Sei que Amanhã será Hoje de novo e será sempre assim. Estou aprendendo a ser um tanto preciso e nada me impede de ter esse jeito, uma vida tão pontual.
Os Ingredientes são postos a mesa e o amanhã pode estragar tudo, a validade é curta. Portanto, quem for menor que seus medos, deverá se convencer de que a felicidade continuará como um sentimento apenas provável. Pois sua vida se resumirá na ficção dos seus melhores momentos construídos pelo alimento dos filmes da infância, e dentre os
muitos instrumentos que tens, o cérebro será o único a construir o que pode. Dispensarás todas as outras utilidades do corpo que te faz ser humano, e viverás somente de uma, daquela que somente imagina. Não terá mais nada além de seu sonho, que te cria e te deixa sempre de molho, enquanto é o seu dono. E como criatura já feita há tempos, serás apenas mais uma vítima desse avesso da criação, que faz mau proveito da liberdade e torna projetos ainda mais suscetíveis à clausura da mente, preponderando a existência garantida pelas articulações do desejo.

O imaginário existe pra ser submisso ao hoje, e o tempo, continua a merecer o seu devido respeito. Não adianta burlar a fila que conduz ao anseio final. É um dever preocupar-se com o que se tem exatamente agora. Já adianto que nada de extraordinário acontece, apenas acontece.

Pra quem quer deixar-se como obra marcante no lugar do projeto de gente isso é o mais importante.

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