terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um provérbio, um salmo, um amigo, um lugar.
Nada ameniza essa dor.
É o silêncio da sua voz que nos acompanha.
Por que é que tem que ser assim?
Diga-nos, uma vez que o senhor agora está no lugar onde as respostas se escondem.
Quanto vale seu adeus?
Qual o preço da nossa dor?
Por favor, nos diga!
Daríamos tudo por uma nova chance.
Mas só temos a dureza da vida em mãos.
Ela nos obriga a seguir sem você.
Ensina-nos a não mais te esperar.
A nossa única certeza é a de que o senhor não voltará mais como antes.
Diga-nos! Quem nos dará segurança na hora do medo?
Mas não responda agora, não olhe por ora a nossa angústia.
Vá tranquilo e sem sofrimento como desde o começo.
E antes que eu esqueça, encontramos seus gestos.
Estavam lá, escondidos, trancados nas prateleiras do armário.
Com o poder de curar nossas enfermidades, nossas cegueiras.
Percebemo-nos enfim, e só o senhor foi capaz de nos guardar como um troféu intocável,
como o amor mais calado e perfeito, que nunca precisou de holofotes pra justificar essa dor.
Ela há de se acomodar, tomar a forma das marcas, sem fazer-te partir.
E tudo não passará de um engano quando perto estiver novamente.